Os bastidores da grandiosa Linha 6-Laranja do metrô de SP

segunda-feira, 04 de agosto de 2025

Sobre a Linha Uni

A Concessionária Linha Universidade é a responsável pela retomada da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo. O empreendimento é uma parceria público-privada (PPP) firmada entre o Governo do Estado em outubro de 2020 e que estabelece um contrato de 24 anos entre a construção e a operação.

As obras da Linha-6 Laranja do metrô já atingiram 60% de execução. Os trabalhos contam com cerca de 10.500 colaboradores diretos e indiretos, e são executados pela concessionária Linha Uni, que é controlada pela empresa espanhola Acciona.

Atualmente, a construção e implantação da Linha 6-Laranja é o maior projeto de infraestrutura da América Latina, que contemplará 15 km de linha e 15 estações, e vai conectar o centro da capital à Brasilândia, na zona norte.

A expectativa é que a Linha 6-Laranja deverá transportar cerca de 630 mil passageiros diariamente. Até o momento, já foram escavados mais de 14 km de túneis, que conectam as 15 estações da linha: Brasilândia, Maristela, Itaberaba-Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, SESC-Pompéia, Perdizes, PUC-Cardoso de Almeida, FAAP-Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis-Saracura, Bela Vista e São Joaquim.

O primeiro trecho está previsto para ser entregue em outubro de 2026, entre Brasilândia e Perdizes. As estações com as obras mais avançadas são: Perdizes (77,97%), Santa Marina (72,43%) e Água Branca (70%).

TUNELADORA

  • Tunnel Boring Machine (TBM)

O equipamento pesa 2 mil toneladas e tem 109 metros de extensão, com diâmetro de escavação de 10,6 metros. Sua capacidade de perfuração é de aproximadamente 12 a 15 metros por dia.

A máquina possui refeitório, cabine de enfermagem, esteira rolante para a retirada do material escavado, além de cabine de comando e equipamentos auxiliares.

Para a sua operação, foram necessárias aproximadamente 50 pessoas, divididas em três turnos de trabalho. Entre os diferentes profissionais envolvidos na operação e logística da tuneladora, estão engenheiros, operadores, técnicos de manutenção mecânica e elétrica, agrimensores, colaboradores de maquinaria e responsáveis de saúde e segurança.

Para a execução das escavações, são utilizadas duas tuneladoras (TBM), também conhecidas como “tatuzões”, uma no sentido norte e outra no sentido sul. O tatuzão norte encerrou os trabalhos no dia 04 de fevereiro. Já a máquina sul está na reta final das atividades, indo para o poço de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) Felício dos Santos.

A obra da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo é um dos maiores empreendimentos de infraestrutura urbana em andamento na América Latina, com um investimento total de cerca de R$ 19 bilhões, sob responsabilidade da concessionária Linha Uni, do grupo espanhol Acciona. 

Pontos de destaque da obra:

  • Extensão e estações: a linha terá 15,3 km de extensão e 15 estações subterrâneas, conectando os bairros da Brasilândia (Zona Norte) a São Joaquim (Centro), passando por regiões densamente povoadas.
  • Avanço das Obras: em abril de 2025, as obras já haviam superado 60% de execução, com mais de 14 km de túneis escavados. Algumas estações, como Perdizes (77,97%), Santa Marina (72,43%) e Água Branca (70%), estão com as obras mais avançadas.
  • Tecnologia de tunelamento (tatuzões): a escavação dos túneis é feita por duas grandes tuneladoras, popularmente conhecidas como “tatuzões”. Essas máquinas são essenciais para a construção em um ambiente urbano complexo, minimizando impactos na superfície. Os tatuzões já atingiram todas as 15 estações.
  • Profundidade: a Linha 6 será a mais profunda da América Latina em alguns trechos, devido à necessidade de passar por baixo de infraestruturas existentes, como o Rio Tietê e o túnel da Linha 4-Amarela, além de fundações de grandes edifícios. A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado será a mais profunda de São Paulo.
  • Previsão de entrega: o primeiro trecho, entre Brasilândia e Perdizes, tem previsão de entrega para outubro de 2026, com operação parcial. A operação total de toda a linha está projetada para 2027.
  • Impacto na mobilidade: a Linha 6-Laranja promete reduzir significativamente o tempo de deslocamento em trajetos que hoje levam mais de uma hora e meia de ônibus, diminuindo-os para cerca de 23 minutos. A previsão é atender a cerca de 633 mil passageiros diariamente.
  • Integrações: a linha terá importantes integrações com outras malhas metroferroviárias, incluindo as linhas 1-Azul e 4-Amarela do metrô e as linhas 7 e 8 da CPTM, tornando-se uma peça-chave no sistema de transporte público de São Paulo.
  • Geração de empregos: o empreendimento já gerou mais de 10.500 empregos diretos e indiretos, sendo considerado um dos maiores canteiros de infraestrutura urbana no Brasil.

Sistemas de fôrmas, escoramentos e andaimes utilizados:

A construção de uma linha de metrô subterrânea de tamanha complexidade exige o uso de sistemas avançados e seguros de fôrmas, escoramentos e andaimes. Embora detalhes específicos sobre todos os fornecedores não sejam amplamente divulgados, empresas especializadas em soluções para grandes obras de infraestrutura são frequentemente envolvidas em projetos desse porte no Brasil.

De modo geral, para a Linha 6-Laranja, são utilizados:

  • Fôrmas: em obras de metrô, especialmente em túneis e estações subterrâneas, são empregadas fôrmas metálicas ou de madeira, muitas vezes customizadas, para moldar o concreto dos revestimentos de túneis, paredes, lajes e pilares das estações. Podem ser utilizados sistemas de fôrmas deslizantes para agilizar a concretagem de grandes trechos contínuos de túneis e paredes. A precisão e a resistência dessas fôrmas são cruciais para garantir a geometria e a segurança das estruturas.
  • Escoramentos: devido às grandes cargas e às profundidades envolvidas, os escoramentos são de suma importância para suportar as fôrmas e as estruturas de concreto durante a cura. São utilizados sistemas de escoramento metálico de alta capacidade, como torres de escoramento e sistemas modulares que permitem montagem e desmontagem eficientes. Em muitos casos, esses sistemas são projetados especificamente para as condições geotécnicas e estruturais de cada trecho da obra.
  • Andaimes: andaimes são essenciais para o acesso seguro dos trabalhadores em todas as fases da obra, desde a escavação e concretagem até os acabamentos. São utilizados andaimes modulares (como os sistemas tubulares) e andaimes fachadeiros, garantindo o acesso a diferentes níveis das estações e túneis. Para o acesso interno em poços e túneis, escadas modulares de segurança são comumente empregadas.
  • É importante ressaltar que a escolha dos sistemas de fôrmas, escoramentos e andaimes depende de diversos fatores, como o tipo de solo, a profundidade das escavações, a geometria das estruturas e os prazos da obra. A concessionária Linha Uni, em parceria com as empresas fornecedoras, seleciona as soluções mais adequadas para cada desafio construtivo, priorizando a segurança, a eficiência e a qualidade da execução.

Por Jefferson Silva, engenheiro e consultor de engenharia da ABRASFE

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