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O setor de construção civil registrou em julho o primeiro mês de abertura de vagas formais após 33 meses de queda, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados na quarta-feira (9). A atividade registrou 724 contratações a mais que demissões. O país teve um saldo de 39.500 vagas no período.

Apesar do resultado positivo, ainda não dá para prever o início de uma recuperação consistente do setor que é considerado um dos grandes empregadores do país.

Para o presidente do Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o dado de julho é pequeno se comparado ao número de empregos formais na construção civil. “Um saldo de 724 em um setor com pouco mais de 2 milhões não é nada. E essa época é a de maior contratação”, explica.

Segundo Martins, as dificuldades para expansão decorrem devido ao baixo nível de investimentos, taxas de juros e falta de capacidade de investimento do setor público.

O pesquisador do Ibre/FGV, Bruno Ottoni, aponta que outro fator a ser considerado é que a construção civil é uma atividade com alto nível de informalidade. “Do ponto de vista do emprego formal, não é tão relevante”, explica.

Indústria

Se a volta das contratações no setor ainda não animam muito, o pesquisador diz que a indústria da transformação mostra uma trajetória mais consistente. Esse segmento foi responsável pela criação de 12.594 vagas formais em julho. Mesmo que os números sejam baixos comparados a períodos de economia mais próxima, quando a indústria registrava saldos líquidos mensais na casa dos 100.000, a boa notícia acontece por causa do efeito multiplicador que essas empresas têm na economia. “Se uma indústria contrata, ela está produzindo mais, vai precisar de transporte, é possível que o comércio já tenha notado demanda e feito pedidos”, explica Ottoni.

Outra boa notícia é a disseminação das contratações na indústria de transformação: de 12 segmentos analisados pelo Caged, 9 apresentaram resultado positivo no mês. O destaque foi o setor de alimentos, bebidas e alcool etílico, com 7.995 contratações a mais que demissões no último mês.

Via Veja.com