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Disciplina, indicadores estratégicos e foco nos resultados são os ingredientes essenciais para fazer uma boa gestão financeira. O tripé foi apresentado por Márcio Iavelberg, sócio da consultoria Blue Numbers, na primeira edição do PEGN Talks. O consultor falou sobre os riscos de uma gestão financeira deficiente e destacou as melhores práticas a serem adotadas. Conheça as principais:

Separe as contas

Diferencie as finanças dos sócios das finanças da empresa. “Isso ajuda não só na contabilidade como dá uma real noção de quão saudável está o caixa”, afirma Iavelberg. Segundo ele, mesmo apresentando resultados positivos, a empresa pode estar doente financeiramente, devido a descompassos ou déficit no fluxo de caixa.

Use indicadores para controlar as finanças

Domine os números do negócio e use indicadores para tomar decisões assertivas e fazer eventuais correções de rota. “Para isso, use três ferramentas básicas: o DRE [Demonstrativo do Resultado do Exercício], a projeção do fluxo de caixa e o balanço patrimonial”, diz Iavelberg. A primeira revela a história econômica do empreendimento. Do DRE, é possível obter a margem de contribuição, o lucro operacional, a lucratividade e a rentabilidade. “Quem não faz o DRE pode não se dar conta do risco de operar com margem operacional negativa”, afirma. Já a projeção do fluxo de caixa exige olhar para a entrada e a saída de recursos, o estoque e os prazos médios de pagamento e recebimento. Com o balanço patrimonial, por sua vez, é possível avaliar a liquidez da empresa. “Dela dependem a capacidade da honrar os compromissos financeiros e a demanda por empréstimos de curto, médio ou longo prazo”, afirma.

Mantenha a disciplina

O empreendedor que mantém o controle dos dados econômicos, financeiros e patrimoniais ganha praticidade e transparência na gestão. “Isso é vital na hora de buscar investimentos, tomar crédito, negociar prazos e honrar compromissos com parceiros”, diz Iavelberg. Plataformas que monitoram entradas e saídas de dinheiro, como ERPs, também ajudam na organização das finanças.

Um olho na lucratividade, outro nas despesas

Fique atento à lucratividade. “Distribuidoras, por exemplo, visam a taxas médias de 5%. Já a indústria, o comércio e o setor de serviços podem mirar em 10%, 15% e 30%, respectivamente”, afirma Iavelberg. Entretanto, sempre que o indicador se afastar da meta, o empreendedor deve revisitar o planejamento e enxugar as despesas. “Sobretudo as fixas, com pessoal e instalações”, diz.

Reinvista o lucro

“Se os sócios apenas colherem os frutos, uma hora a empresa vai secar”, afirma Iavelberg. Segundo ele, é fundamental que micro e pequenas empresas definam planos de investimento e usem parte do lucro para levar o planejamento a cabo. Esse capital pode ser destinado, por exemplo, para troca de maquinário, ações de marketing, aquisição de outra empresas ou mesmo como prêmio à equipe que garantirá a sustentabilidade do negócio nos próximos anos.

Gerencie o CMV (Custo da Mercadoria Vendida)

Diante de uma lucratividade negativa, a solução nem sempre é aumentar as vendas. “Vale, por exemplo, programar melhor as compras e fugir de qualquer custo emergencial que impacte o CMV e diminua a margem do produto”, afirma Iavelberg. Vale destacar que o CMV é, basicamente, a soma das despesas para produzir e armazenar a mercadoria até que a venda seja realizada. O consultor ainda destaca a importância de identificar de onde vazam recursos. “Não basta olhar os números isoladamente, mas também acompanhar o histórico do indicador”, diz ele.

Planeje o orçamento de 2018

Projete a expectativa de receitas, despesas e resultados para todo o exercício, mês a mês. “O orçamento será a bússola que permitirá ao empreendedor confrontar o planejado com o realizado. Isso deve ser feito constantemente, e com tempo de fazer uma intervenção”, diz Iavelberg. Portanto, se houver descompassos, o empresário não deve esperar o fechamento do exercício para altear a rota inicial.

 

Fonte: Revista PEGN

Autor: Laura Silbiger